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Pianista • Maestro • Compositor • Arranjador • Educador Musical

Uma trajetória entre tradição, criação e expressão

    

André Lamounier van Lammeren é compositor, pianista, maestro, arranjador e produtor musical brasileiro. Sua trajetória artística reúne a tradição da música erudita europeia, a riqueza da música brasileira e a busca permanente por uma linguagem musical própria e universal. Com mais de 650 obras compostas para piano, voz, formações camerísticas, orquestras, ballet, teatro musical, cinema e trilhas sonoras, construiu uma produção de ampla diversidade estética, transitando entre o clássico, o popular e as linguagens híbridas da música contemporânea.

Há mais de quarenta anos, sua atividade artística e acadêmica vem se desenvolvendo também nos campos da educação musical, formação vocal, regência coral, oratória artística e projetos de desenvolvimento humano através da música. Em seu trabalho, técnica e emoção caminham juntas, com especial atenção à expressividade, à sofisticação harmônica e à comunicação humana.

 

Origens e herança musical

Nascido no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1961, André Lamounier van Lammeren iniciou sua formação musical aos quatro anos de idade, sob orientação de sua mãe, Sylvia Carrera Lamounier, cantora lírica de destaque no panorama artístico brasileiro das décadas de 1940 e 1950. Posteriormente, deu continuidade aos estudos com seu pai, Johannus Petrus Theodorus van Lammeren, pianista holandês de sólida formação acadêmica europeia.

Sua herança musical reúne duas tradições de grande riqueza. Pelo lado materno, é descendente de Gastão Lamounier, importante compositor brasileiro de valsas, tangos e canções populares, cujas obras foram interpretadas por grandes nomes da música brasileira e marcaram presença no rádio nas décadas de 1930, 1940 e 1950. Pelo lado paterno, descende de Gijsberths van Lammeren, pianista, violoncelista, compositor e professor neerlandês ligado à tradição pianística europeia do século XIX e discípulo de Theodor Leschetizky, um dos grandes pedagogos do piano de sua época, pertencente à linhagem que remonta a Carl Czerny e Ludwig van Beethoven.

 

Formação musical e encontros decisivos

Ao longo de sua formação, André aprofundou estudos de composição, contraponto, instrumentação, orquestração, harmonia, piano, regência e história da música. Estudou orquestração e contraponto com o maestro Cosme Marinho Galindo, da Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e aprofundou seus conhecimentos de composição e orquestração com Guerra Peixe e Francisco Mignone. Participou ainda de encontros de orientação em regência e composição na residência do maestro Hans-Joachim Koellreutter.

No piano, estudou com o concertista argentino Miguel Angel Schebba. No Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, estudou harmonia vocal, ritmo, som e teoria musical com professores como Helena Fiúza e a maestrina Cacilda Borges Barbosa. Aprofundou também seus estudos de história da música, especialmente os períodos renascentista, barroco, clássico e a ópera, com o Profº Dr. Luiz Paulo de Oliveira Sampaio.

Em 1987, realizou residência artística em composição no Conservatoire à Rayonnement Régional de Rueil-Malmaison, em Paris, sob orientação do professor Dr. Jacques Taddei, ampliando sua experiência com a música contemporânea europeia e com diferentes correntes estéticas internacionais.

A construção de uma linguagem autoral

Desde muito jovem, demonstrou intensa vocação para a composição. Aos 16 anos, escreveu “Solidão”, sua primeira série composicional de maior relevância, de inspiração romântica e fortemente influenciada por Frédéric Chopin. A obra chamou a atenção de artistas e escritores e inspirou a poeta Maria Afonso Penna, neta do ex-presidente Afonso Penna, a escrever uma poesia a partir da composição “Solidão nº 10”.

Na década de 1980, a obra “Balada 25 de Dezembro” recebeu apreciação do maestro Isaac Karabtchevsky, que destacou a amplitude de recursos e a linha melódica singular da composição. Pouco depois, foi através da série pianística “Brasilakas” que André Lamounier van Lammeren consolidou sua identidade autoral. Concebida como homenagem musical ao Brasil, a obra combina virtuosismo instrumental, riqueza rítmica, dramaticidade e forte caráter nacionalista contemporâneo, tendo recebido destaque da crítica especializada, incluindo referência publicada em O Globo, em 1986, pelo crítico musical Antônio Hernandez.

A partir desse período, sua linguagem passou a assumir um perfil cada vez mais próprio, aproximando elementos da música clássica, do impressionismo, da música cinematográfica e da música popular brasileira. Bach, Mozart, Chopin e Liszt convivem, em seu universo de referências, com criadores como Hans Zimmer, John Williams, Nino Rota e Burt Bacharach.

Um compositor de múltiplas linguagens

A produção de André Lamounier van Lammeren percorre diferentes formações e propostas estéticas: obras para piano solo, peças sinfônicas, música vocal erudita e popular, obras camerísticas, composições para instrumentos solistas, ballet, musicais e trilhas sonoras para teatro, cinema e documentários.

Entre suas obras mais conhecidas estão “Brasilakas”, “Fantasy”, “Life”, “Gênese”, “Crepúsculo”, “Sea Waves”, “Kális”, “Ballet Cigano”, “Blue Moon”, “Nevada”, “Isla”, “Baião” e “La Petite Valse”.

Ballet, cena e expressão dramática

Em 1983, compôs sua primeira peça para ballet, dando origem ao “Ballet Cigano”, conjunto caracterizado pela intensidade dramática, sensualidade rítmica e influências flamencas e russas. Ao longo dos anos, sua música passou a dialogar cada vez mais profundamente com o universo cênico e imagético, aproximando-se da dança, da dramaturgia e da narrativa cinematográfica. O caráter visual e emocional tornou-se uma das marcas de sua escrita musical.

Música, educação e transformação humana

Além da produção artística, Lamounier desenvolveu uma ampla atividade pedagógica e social. Em 2010, dirigiu oficinas musicais na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro, coordenando a criação da trilha sonora para o documentário “Irene”, inspirado na obra de Ítalo Calvino. O projeto reuniu educação musical, reflexão social, cidadania e produção audiovisual.

Sua atuação pedagógica inclui cursos, oficinas, palestras e atividades dedicadas à técnica vocal, impostação e projeção da voz, canto coral, interpretação musical, expressão cênica, musicalização, história da música, oratória artística e desenvolvimento humano através da música.

 

Pesquisa, pedagogia e desenvolvimento humano

Ao longo de sua trajetória, André Lamounier passou a integrar arte, educação, expressão vocal e consciência emocional em uma abordagem pedagógica própria. Para ele, a música não é apenas uma linguagem estética: é também instrumento de comunicação humana, integração emocional e transformação subjetiva.

Participou de projetos acadêmicos e publicações voltados à educação musical e à inclusão, incluindo colaboração em obras relacionadas ao desenvolvimento de crianças com transtorno do espectro autista através da música. Seu trabalho pedagógico procura ampliar a percepção do corpo, da voz e da expressão, utilizando a experiência musical como caminho de consciência, comunicação e desenvolvimento.

 

Produção editorial e obras publicadas

Diversas obras de André Lamounier foram publicadas ao longo de sua carreira por editoras e instituições ligadas ao meio musical brasileiro. Entre elas estão “Brincando com as Notas nº 1 e nº 2”, pela Editora Irmãos Vitale; “Fantasy”, “Life”, “Crepúsculo”, “Kális” e “Brasilakas nº 5”, pela Sony Music Publishing; e “Lembranças que não voltam mais”, pelo SIGEM – Sistema Globo de Edições Musicais.

 

Uma visão humanista da música

A obra de André Lamounier caracteriza-se pela busca de integração entre emoção, refinamento técnico e comunicação humana. Sua linguagem procura dissolver fronteiras entre o erudito e o popular, o clássico e o contemporâneo, a tradição e a experimentação.

Mais do que uma proposta estilística, sua arte expressa uma visão humanista da música: uma experiência capaz de despertar sensibilidade, memória, imaginação e consciência. Em suas composições, a melodia ocupa papel central, frequentemente associada a harmonias elaboradas, atmosferas cinematográficas e intensa dimensão lírica. A música é compreendida como experiência sensorial, emocional e espiritual.

 

Livros e projetos musicais

Como extensão de sua produção composicional e de sua pesquisa sobre as possibilidades expressivas da música, André Lamounier van Lammeren é autor e coautor de importantes projetos editoriais. Em Heaven – Mythological Beings, lançado internacionalmente pela JustFiction! Edition, na Alemanha, reúne 21 composições para piano, apresentadas em formato de recital e acompanhadas de comentários do próprio compositor, nos quais revela as inspirações, imagens, referências e circunstâncias que deram origem a cada obra. Em Brasilakas for Piano, lançado nos Estados Unidos em 2025 e disponibilizado pela Amazon, apresenta 10 peças autorais de elevado virtuosismo técnico, nas quais a força rítmica e a identidade da música brasileira encontram a tradição pianística europeia, revelando uma escrita de grande complexidade, expressividade e personalidade. Já em A Aldeia Musical – um menino autista em busca de um elo com o mundo, escrito em coautoria com Slavisa Lamounier, a música assume uma dimensão especialmente humana e inclusiva: a obra apresenta 14 composições inéditas, criadas especialmente para a narrativa, na qual um menino autista encontra na música uma possibilidade de comunicação e de aproximação com o mundo. Publicado em 2020, o livro articula literatura, musicalização, imaginação e inclusão, reafirmando uma das dimensões mais profundas da trajetória de André Lamounier: a convicção de que a música pode ser, simultaneamente, arte, conhecimento, linguagem e instrumento de transformação humana.

 

Atuação contemporânea

Atualmente, André Lamounier mantém atividades ligadas à composição, produção musical, ensino, canto coral, palestras, oficinas e desenvolvimento de projetos artísticos e pedagógicos no Brasil e na Europa. Seu trabalho permanece voltado à criação musical autoral e à expansão da música como instrumento de arte, comunicação e transformação humana.

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